UPPER HOUSE HONG KONG

CONSTRUÍDO À IMAGEM E SEMELHANÇA DE HONG KONG, A CIDADE QUE O ABRIGA, THE UPPER HOUSE É ONDE A ARTE, GASTRONOMIA E HOTELARIA SE ENCONTRAM  

Dona de uma história só sua, Hong Kong é uma China à parte, e seu distanciamento – ora conveniente, ora conivente – fez a pequena ilha aprender na marra a conjugar todo o seu passado no singular. A independência imposta trouxe um amadurecimento sadio para a metrópole, que hoje é um dos principais focos de turismo e viagens de negócios da Ásia. Síntese do encontro entre Ocidente e Oriente, Hong Kong ostenta uma orla invejável, repleta de arranha-céus e prédios hi-tech que abrigam grandes centros financeiros internacionais. Mas nem só de futuro vive a ilha: ali há espaço cativo para as tradições dos antigos pescadores, que continuam intactas em meio à efervescência dos seus becos e ruelas. Descobrir os encantos da cultura local e as surpresas escondidas nos numerosos hotspots cosmopolitas é um dos pontos altos da região, que mostra uma faceta mais mansa em refúgios de tranquilidade, como o The Upper House, um hotel localizado no distrito central de negócios Pacific Place, que se baseia no conceito “uma casa sobre a cidade”.  

Cada elemento do hotel, do ambiente ao approach dos funcionários, parece ter sido pensado com a precisão e a sutileza de um quebra-cabeças chinês. Para começar, ao chegar ao Upper House é preciso atravessar uma cortina de pedras criada por Thomas Heatherwick, o idealizador do caldeirão da tocha dos Jogos Olímpicos em Londres, e subir por meio de uma escada rolante até o salão principal. Como o nome sugere, a ideia é levar o hóspede a uma jornada às alturas, para cima e para longe do burburinho da metrópole, até a sua “casa temporária” que fica em algum dos 117 quartos entre os pisos 38ºe 48º. Projetado pelo designer local Andre Fu, o hotel valoriza os espaços com materiais naturais como o carvalho claro, calcário e mármore, além da iluminação sutil para promover o clima de serenidade em meio à agitação das ruas de Hong Kong. O lugar também conta com inovações tecnológicas como o check-in e o check-out via iPad, direto do quarto. Ou seja, nada de ficar perdendo tempo preenchendo papéis e apresentando documentos no hall de entrada. Os traslados também são realizados por carros híbridos Lexus RX 450 e BMW i3, que atendem à política de conservação ambiental do local, sem deixar de lado o conforto no transporte dos clientes. Aberto desde 2009, o Upper House ocupa os pisos superiores do edifício JW Marriott, que foram decorados com influência asiática minimalista e obras que expõem um rico panorama da arte contemporânea da Ásia. Por toda parte, há vários elementos de bambu polido e vidro Shoji, e, nos 10 andares do hotel, é possível admirar a escultura de aço inoxidável “Rise”, do artista japonês Hiroshiwata Sawada, que remete ao estonteante pôr do sol do porto de Victoria. Além da estonteante vista da cidade e do sossego dentro das instalações, o hotel também reserva ótimas surpresas nas imediações, como a Torre do Banco da China e o Victoria Peak Tram. Para quem quer apostar nas compras, a estação de metrô Admiralty reúne o melhor blend de marcas poderosas a apenas algumas ruas de distância, com lojas conceito de labels internacionais como Louis Vuitton, Bulgari, Gucci e outras. Os quartos são outro ponto alto do Upper House, vale dizer. Eles seguem uma clara premissa: fazer qualquer um se sentir em casa. Só que, ali, o “em casa” é no sentido literal da coisa: os convidados são brindados com relaxamento, privacidade, conforto e pertencimento –tudo para que o hóspede “se esqueça” que está viajando, e sinta-se como um verdadeiro morador. As janelas das suítes, que vão do chão ao teto, permitem vistas fantásticas do porto e das montanhas, e o espaço interno dos quartos merece destaque, já que é uma bem-vinda exceção à regra diante da economia de espaço que vigora nos hotéis de Hong Kong. As acomodações são divididas em quatro categorias. Os Studio 70, que ficam localizados do piso 38 para cima e têm 68 metros quadrados; os Studio 80, com 78 metros quadrados; as Upper Suites, com 114 metros quadrados; e duas coberturas enormes, cada uma com quase 200 metros quadrados de luxo e conforto. Cada acomodação tem uma cama king-size plataforma e vestiário com design ergonômico, além de TVs de tela plana, encaixes iDevice e sistemas de som, tudo sincronizado. O serviço de quarto é acionado através de um iPod Touch, que também carrega informações do hotel e de destinos turísticos da cidade. No interior, os banheiros, pensados sob o conceito de spas privados, contam com chuveiros walk-in e uma banheira de pedra calcária alinhada com o essencial para uma longa sessão de relaxamento: sais de banho, óleos florais, máscaras de renovação da pele e uma infinidade de cosméticos de alto padrão da marca inglesa REN. Para ficar ainda mais zen, é possível se exercitar na academia ou fazer aulas de ioga no “The Lawn”, um aconchegante jardim situado no sexto andar, onde também é possível curtir um piquenique ou tomar um drinque. As refeições no restaurante Café Gray Deluxe são um capítulo à parte. Instalado no 49o andar, oferece como aperitivo o impressionante skyline do Porto de Victoria. A cozinha autoral do renomado chef Gray Kunz, famoso na década de 1990 por conduzir o Lespinasse, em Nova York, favorece ingredientes sazonais orgânicos e mistura o estilo clássico europeu com a rica culinária asiática. Se a intenção for só tomar um drinque na companhia de um belisco, escolha um dos lugares no balcão de metros do restô –lugar perfeito para ver e ser visto. Graças a clássicos como o Upper House, Hong Kong continua escrevendo sua história presente em primeira pessoa do singular–e o futuro nunca pareceu tão promissor.